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Os ganhos do Brasil na produção de biocombustíveis Andreia Luiza Matias - 12/07/21 23:01

Imagem: Saulo Cruz/MME

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, 20% do consumo do setor de transporte é de biocombustíveis renováveis. Segundo o site gov.br, o Brasil tem caminhado para ampliar o consumo com o apoio da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Com o avanço da vacinação e redução das medidas restritivas, o governo espera que o aumento do consumo de combustível. A página oficial do Governo ressalta a recente aprovação, no Conselho Nacional de Política Energética, do Programa Combustível do Futuro. Esse novo programa deve promover uma maior inserção dos biocombustíveis na matriz energética do país. Não só no modo rodoviário, mas também no aquaviário e aéreo. Além do desenvolvimento de tecnologia veicular nacional que privilegia a vocação do Brasil na produção e no uso da bioenergia.

Os biocombustíveis são derivados de biomassa renovável e podem substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e gás natural em motores a combustão ou em outro tipo de geração de energia. Além disso, são fontes de energia alternativa que apresentam baixo índice de emissão de poluentes.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, os dois principais biocombustíveis líquidos usados no Brasil são o etanol produzido a partir de cana-de-açúcar e o biodiesel, que é desenvolvido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel de petróleo em proporções variáveis.

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Coelho, fez um balanço sobre o biocombustível no país e comentou sobre as perspectivas para o futuro.

Segundo o ministro, em 2020, o setor de biocombustíveis do Brasil apresentou resultados expressivos. Os resultados mostram os avanços desse segmento da economia e demonstra a vocação brasileira para a produção e o uso da bioenergia. Um dos resultados mais relevantes, segundo Coelho, foi o do RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis. “O RenovaBio, considerado o maior programa do mundo de descarbonização da matriz de transportes, estabelece um mercado de créditos de descarbonização, o nosso CBio. Cada CBio equivale a uma tonelada de emissões de gás carbônico evitada na atmosfera. Na nossa Política Nacional de Biocombustíveis, os distribuidores constituem a parte obrigada a adquirir os CBios. Nesse sentido, em 2020 foram negociados na nossa bolsa de valores, a B3, cerca de 14,9 milhões de CBios, gerando volume financeiro de mais de R$ 650 milhões. Assim, os distribuidores de combustíveis cumpriram cerca de 98% da meta de descarbonização estabelecida para o ano passado”, afirmou o ministro.

O ministro também falou sobre a produção o etanol, um dos principais biocombustíveis do Brasil. Segundo ele, “o pujante mercado de biocombustíveis do Brasil conta atualmente com 361 usinas supraenergéticas”. Coelho também disse que o país processou, em 2020, mais de 660 milhões de toneladas de cana e produziu aproximadamente 34 bilhões de litros de etanol. “Somos o maior produtor do mundo de etanol a partir da cana-de-açúcar. Mas, além da cana, temos o milho. E a produção desse biocombustível, a partir do milho, cresceu mais de 84% no ano passado, com volume de 2,4 bilhões de litros.”

Ainda segundo o ministro, a produção de biodiesel, em 2020, cresceu 8,7%. E a capacidade instalada, 9,4%, com consumo de 6,4 bilhões de litros, fazendo do Brasil o segundo maior produtor mundial desse importante combustível renovável. De acordo com ele, são 49 unidades produtivas em operação no país. “O setor de biodiesel também contribui para a inclusão social com mais de 98% do volume comercializado proveniente de usinas com selo biocombustível social, o que exige a inclusão de agricultores familiares na cadeia produtiva.”

Outro combustível renovável que merece destaque, conforme o ministro, é o biogás, que purificado, leva ao biometano. Segundo ele, no ano passado, o Brasil apresentou 638 usinas de biogás em operação, que produziram cerca de 5 milhões de metros cúbicos por dia desse biocombustível. Em relação ao biometano, são três usinas em funcionamento, que produziram 330 mil metros cúbicos por dia no último ano. Ele disse também, que é importante destacar que a produção de biogás e biometano utiliza como matéria-prima resíduos agroindustriais ou provenientes de aterros sanitários, o que contribui para a preservação do meio ambiente e o combate ao chamado aquecimento global.

Para o ministro, os combustíveis renováveis, e os biocombustíveis, contribuem para que o país venha a confirmar os cenários previstos por programas mais abrangentes e de longo prazo, como o Plano Nacional de Energia, o PNE 2050. “O PNE mostra a importância dos biocombustíveis para a descarbonização do setor de transportes. Destaco que o Brasil pratica hoje 27% de etanol anidro na gasolina comercializada no país. Além disso, temos a maior frota de veículos flex fuel do mundo, podendo usar gasolina e etanol hidratado, em qualquer proporção na mistura.”

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