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Bolsonaro sinaliza ida para o PP e diz que vacinação deve ser concluída em novembro Andreia Luiza Matias - 23/07/21 14:58

Imagem: Reprodução

Presidente Jair Bolsonaro falou nesta sexta-feira (23) que pode ir para o PP (Partido Progressista), mesmo partido de Ciro Nogueira, já anunciado por Bolsonaro como ministro da Casa Civil, na próxima semana. O presidente afirmou que se a legislação brasileira permitisse candidatura independente, ou seja, sem a necessidade de partido ele assim o faria, mas como não permite ele precisa jogar as regras do jogo ditadas pela Constituição.

“Eu não tenho partido político ainda, eu tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu e possa realmente, se for disputar a presidência, ter o domínio do partido. Tá difícil, quase impossível. Então o PP passa a ser uma possibilidade de filiação nossa. Faz parte da regra do jogo.”

Apesar da sinalização Bolsonaro reiterou que não tem partido e que não é candidato e neste momento ele não pensa em reeleição.

Sobre as críticas pela indicação de Ciro Nogueira, que é do chamado centrão, Bolsonaro reiterou que sempre fez parte de partidos de centro. Disse também que seria impossível governar sem os votos desses partidos, uma vez que sua base de apoio no parlamento é insuficiente e não garante governabilidade.  

Se alguém tem alguma bronca contra qualquer parlamentar, não se esqueça que foram vocês que colocaram eles aqui dentro. Eu busco sempre uma maneira de melhor administrar o Brasil sem conflito. Eu sou tachado de uma violenta, agressiva, mas não tem nada disso. Obviamente temos algum problema com parte da grande imprensa até pela maneira como eles me tratam.

Sobre o fundão, o presidente afirmou que se o valor estipulado, pelo Parlamento, levasse em conta o montante da eleição anterior mais a correção monetária, ele seria obrigado a aprovar, caso contrário incorreria em crime de responsabilidade previsto no artigo 85 da Constituição Federal. No entanto, os R$ 5,7 bi extrapolou os limites da lei, ou seja, ele pode e vai vetar o fundão. Ele lembrou que mesmo vetando é possível que a proposta passe como está, uma vez que o Parlamento pode derrubar seu veto.

Bolsonaro disse que suas escolhas são técnicas e a escolha de André Mendonça segue esse critério. “O André Mendonça preenche em tudo no tocante ao conhecimento da questão jurídica, no Brasil. Se você aplicar uma prova para o André Mendonça agora, escrita, eu duvido que a nota dele não seja, no mínimo, 9,5. Agora, eu queria somar a isso a questão de ser evangélico. Falei antes até da campanha, na pré-campanha, que eu indicaria um terrivelmente evangélico para o Supremo. Não estou misturando política, justiça e religião, mas acredito eu, como sou cristão, que o perfil adequado nesse momento seria esse. Além deu eu cumprir um compromisso de campanha. Agora, no fundo quem bota ele dentro do Supremo, quem pode botar o André dentro do Supremo, não sou eu, é a sabatina que é feita no Senado. E nós temos trabalhado junto a senadores para aprovar o nome dele. Acredito que tenhamos sucesso.”

Bolsonaro fez elogios a André Mendonça, disse que ele é uma pessoa equilibrada, jovem e que deve trabalhar bem junto com Kassio Nunes, outro indicado do Governo Bolsonaro.

O chefe do executivo disse que acredita que até novembro toda população vacinável, cerca de 180 milhões de pessoas, deve estar imunizada. Ele reiterou que pediu a Queiroga para oficiar a CGU (Controladoria-Geral da União), o Ministério da Justiça e o TCU (Tribunal de Contas da União) para investigar porque o Butantan vende a 10 dólares as vacinas da Sinovac que foram ofertadas ao governo, nos últimos dias, a 5 dólares.

“Eu não quero acusar o Butantan de fazer nada errado. Aguardamos a planilha de preço deles, sempre negada para nós, quem sabe justifique nós pagarmos 10 dólares, aquilo que nos foi oferecido por 5. Então essas questões, duvido que a CPI investigue. O próprio Renan Calheiros disse no início da CPI que não investigaria desvio de recursos. Você pode ver o senhor Carlos Gabas, que é o executivo do Consórcio do Nordeste, sumiu com R$ 49 milhões para comprar respiradores e nenhum estado do nordeste recebeu um respirador sequer.”

Sobre a declaração ‘ou fazemos eleições limpas no Brasil, ou não teremos eleições’, Bolsonaro disse que eleições que não sejam limpas não são eleições. Ele destacou a atitude de parlamentares que já defenderam a mesma bandeira e que, misteriosamente, após se reunirem com ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também membro do STF mudaram de opinião.

“Quem é contra eleições, seguramente, limpas e transparentes? Só quem tem interesses escusos nas mesmas. O ministro Luís Barroso deveria ser o primeiro a defender mais uma possibilidade de transparência.”

Bolsonaro disse que geralmente quem está no governo trabalha contra a confiabilidade para garantir numa possível fraude a sua própria eleição. “Eu estou fazendo exatamente o contrário. Eu quero transparência nas eleições.” Bolsonaro disse que o que está em jogo é a liberdade do país. Ele usou como exemplo a situação delicada de Cuba e da Argentina, países dominados pela esquerda.

O presidente disse que a democracia não tem preço e que há uma reserva de recursos para a troca das urnas. Ele também chamou a atenção para o empenho de seus adversários para garantir para que essa possibilidade de auditoria do voto não ocorra.

“Se, segundo o DataFolha, o Lula tem 49% de intenções de voto, no primeiro turno, acho que ele deveria aprovar o voto impresso, auditável e seguro porque é a garantia que o Lula vai ganhar. Agora, quando eles apoiam o outro lado, ou seja, não querem o voto impresso, auditável é sinal de que algo de errado está na pesquisa do DataFolha.”

As declarações foram dadas durante entrevista à Rádio 92.1 FM Mato Grosso do Sul, na manhã desta sexta-feira (23).

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