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Bolsonaro fala sobre reforma e investigação do Butantan Andreia Luiza Matias - 22/07/21 13:58

Imagem: Reprodução

O presidente Bolsonaro falou sobre a reforma ministerial, que deve ocorrer na próxima semana. A confirmação foi durante entrevista à rádio Banda B de Curitiba, na manhã desta quinta-feira (22). Bolsonaro também falou sobre outros assuntos de interesse nacional como a pandemia, voto auditável, vacinas, entre outros.

Bolsonaro confirmou a ida do senador Ciro Nogueira (PP) para a Casa Civil, que atualmente tem como ministro o General Ramos. De acordo com o chefe do executivo, a ida de Ciro para o Governo deve melhorar o diálogo entre o executivo e o legislativo. Bolsonaro disse que a Casa Civil é o ministério mais importante do governo uma vez que é a pasta que faz a coordenação entre os ministérios e Ciro é um nome que interessa ao governo.

Já o general Ramos, permanece no governo e deve ir para a Secretaria-Geral da Presidência da República, atualmente ocupada por Onyx Lorenzoni. Nesta quarta-feira (21), Ramos disse que “foi atropelado por um trem” ao falar de sua saída da Casa Civil. O presidente afirmou que a fala de Ramos foi simplesmente uma força de expressão e que ele e o general são amigos desde 1973. Ramos e esteve com o presidente no jogo do Flamengo nesta quarta-feira (21).

Onyx Lorenzoni, atualmente Chefe da Secretaria-Geral, da Presidência da República irá para um novo ministério. De acordo com Bolsonaro, o número de ministérios não vai mudar. “Como o Banco Central perdeu esse status, há dois meses, nós reestabelecemos 23 ministérios e vai ser o Ministério do Emprego e Previdência”, afirmou Bolsonaro.

Segundo Bolsonaro, por conta das “políticas não muito bem conduzidas” durante a pandemia como “lockdown, feche tudo, fique em casa, a economia a gente vê depois”, o governo teve muito trabalho para manter empregos formais. Ele lembrou dos informais que perderam sua renda e foram socorridas pelo Auxílio Emergencial, que não pode ser para sempre. Segundo ele o governo gastou em 2020 com Auxílio Emergencial mais que o Bolsa família em 10 anos. Foram mais R$ 300 bilhões o gasto com Auxílio Emergencial.

“O país tem que voltar à normalidade, então esse novo ministério de Emprego e Previdência vai cuidar dessa questão e tem mais liberdade, mais meios para tratar desse assunto. Você vê, o Paulo Guedes, ele tem um ministério enorme. Ele agregou cinco ministérios no passado, quando assumiu. É um esforço enorme para manter aquele ministério funcionando. E ele mesmo concordou com a tirada dessa parte, que é o antigo Ministério do Trabalho e da Previdência para passar para esse novo ministério. Dá uma certa descompressão no Paulo Guedes e deixa o Onyx Lorenzoni tratar dessa questão importantíssima, que precisamos sim, além de recuperar empregos, buscar mais alternativas para atender aos desassistidos. Não é da pasta do Onyx a questão do Bolsa Família, é do João Roma, nosso deputado lá da Bahia, mas trabalham perfeitamente afinados. Pretendemos sim, termos um Bolsa Família, a partir de novembro, de no mínimo R$ 300,00. Isso equivale a um aumento um pouco acima de 50%, porque hoje em dia, a média do Bolsa Família está em R$ 192,00. Então esse ministério vem para ajudar.”

O presidente disse que a recriação do ministério não vai aumentar trazer despesas para o governo. Não haverá criação de cargos, apenas trazer duas pastas do Ministério da Economia para o novo ministério.

Bolsonaro afirmou que esteve no jogo Flamengo e Defensa y Justicia, pela Copa Libertadores, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Bolsonaro lembrou o episódio da Copa América que foi explorado politicamente por seus adversários que afirmaram que seria a “Copa da Morte”, no entanto a Copa América ocorreu sem intercorrências e os números da Covid, inclusive, baixaram durante o período de realização do torneio.

“Desde o começo eu defendi que uma parte da arquibancada poderia ser ocupada por torcedores, mas a decisão final, segundo o nosso Supremo Tribunal Federal, caberia a governadores e prefeitos. Bem ontem foi o início da volta do futebol com 30%, com aval do nosso Ministério da Saúde”.

O Fundão também foi tema da entrevista. Ele explicou que precisa cumprir a lei, caso contrário incorre em crime de responsabilidade. Ele reafirmou que vai vetar o valor de R$ 5,7 bilhões. Bolsonaro disse que o parlamento pode derrubar o veto ou buscar outra alternativa.

“Se for em cima da alternativa da lei de 2017, que chegaria próximo a R$ 4 bilhões que é um valor também assustador, eu seria obrigado, por força do artigo 85 da Constituição sancioná-lo.”

Bolsonaro disse que em respeito ao dinheiro público vetará, não é porque o Parlamento manda uma proposta que ele tem de aprovar em nome da harmonia entre os poderes. Ele afirmou que muitas propostas do seu governo foram para o Congresso e foram vetadas ou modificadas.

Sobre o voto auditável, Bolsonaro voltou a afirmar que na próxima semana ele vai apresentar o que houve na eleição de 2014. Segundo ele, será feita uma apresentação objetiva para que todos entendam da inconsistência, da vulnerabilidade da urna eletrônica. Bolsonaro foi enfático sobre a previsão de contagem pública dos votos, na Constituição Federal.

“Olha que eu estou querendo? Eu estou querendo transparência, nada além disso. Não podemos terminar as eleições de 2022 e o povo aí ficar na dúvida, ‘será que esse cara ganhou?’, será que o processo foi limpo foi transparente?’ e eu vou demonstrar em parte, aguardo mais uns dados, ainda, da minha eleição, que no nosso entendimento nós ganhamos no primeiro turno.”

Bolsonaro falou sobre a distribuição de mais de 160 milhões de doses de vacinas no país e falou da ineficácia da vacina chinesa. Segundo ele em São Paulo as pessoas estão rejeitando tomar a vacina chinesa. “Sabemos dos problemas que a vacina chinesa, a CoronaVac, vem ocasionando em alguns países como o Chile, por exemplo, e aqui no Brasil também.  Pessoas que tomaram as duas doses e foram infectadas ou uns até reinfectados. Então a eficácia da CoronaVac está lá embaixo realmente. Nós, desde o primeiro momento, fomos uma decisão minha junto aos nossos ministros: vacina só compra depois de aprovada pela Anvisa e só paga depois de recebe-la.”

Segundo ele a decisão foi tomada para evitar qualquer possibilidade fraude. Bolsonaro lembrou que o brasil começou a vacinar um mês após a primeira vacina no mundo. Ele destacou que todas as vacinas foram compradas pelo Governo Federal, mas que alguns deputados e senadores como Omar Aziz, Renan Calheiros, Renildo Calheiros (irmão do Renan Calheiros), Randolfe Rodrigues tentaram alterar uma Medida Provisória do governo para que governadores e prefeitos pudessem comprar vacina sem autorização da Anvisa e sem licitação.

Bolsonaro reiterou que seu governo está a 2 anos e meio sem corrupção. Ele lembrou o caso da Covaxin em que não foi gasto nenhum centavo e mesmo assim seus adversários insistem em dizer que houve corrupção. De acordo com ele, caso haja caso de corrupção em seu governo será investigado e punido, se for o caso. Sobre a vacinação, Bolsonaro afirmou que todos aqueles brasileiros que quiserem, de foram voluntária, tomar o imunizante poderá ser vacinado até novembro ou outubro deste ano. Ele também falou que defende o tratamento precoce.

“Não sou médico, mas fui tratado, de forma precoce, não tive problema nenhum, bem como dos mais ou menos 200 servidores do prédio aqui que estou ocupando fizeram uso dos medicamentos para tratamento precoce, mesmo sem comprovação científica. Assim como as vacinas, até hoje a CoronaVac não tem comprovação científica. Essa não tem problema usar, agora, o tratamento precoce tem problema. Então foi politizado isso e eu entendo que muitas vidas poderiam ter sido poupadas se não tivesse tido essa politização e essa investida apenas em cima da vacina. Outras formas de tratar covid deveria se fazer presente.”

Bolsonaro disse que há um interesse da indústria farmacêutica para que não haja uma solução barata para o tratamento da covid. Ele disse que não assiste à CPI da covid, mas fica sabendo por meio de pessoas de confiança sobre “as narrativas que todos os dias são criadas” na Comissão.

O presidente falou sobre a chegada de um documento encaminhado para o Governo pela empresa que fabrica a CoronaVac na China oferecendo a vacina a cinco dólares. Segundo ele essa oferta foi encaminhada a Controladoria-Geral da União, ao Ministério da Justiça e será ainda encaminhado ao Tribunal de contas da União para que seja investigado o porquê dessa oferta com metade do preço.

“O Butantan também foi oficiado por nós para que se explique por que a matriz nos oferece a vacina pronta a cinco dólares e eles, Butantan, ao receber o IFA da China nos vende a dez dólares a vacina. Pode ser que não haja nada de errado nisso tudo, mas o Butantan nunca nos deu, nunca nos apresentou as planilhas de preço.”

Bolsonaro disse que isso sim, deve ser investigado. Segundo ele, após as CGU, Justiça, o TCU deve dar resposta sobre esse contato e se continuar usando a CoronaVac no Brasil é mais interessante comprar direto da China do que do Butantan pelo dobro do preço. Ele reiterou que não estava fazendo nenhuma acusação de corrupção ou desvio, apenas estava destacando o documento que trazem esse alerta sobre o preço aplicado pelo Butantan.

Bolsonaro falou sobre os militares no governo, disse que quem não quer militares no governo que vote em outros candidatos, como o PT que colocou seus amigos, durante seus governos.

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