Foco do Brasil

Bolsonaro diz que Mourão ‘por vezes’ atrapalha Andreia Luiza Matias - 26/07/21 22:26

Imagem: Reprodução

Bolsonaro disse que o grande legado de seu governo é não ter atos de corrupção. Ele afirmou que em dois anos e meio de governo, não há atos de corrupção. Ele também afirmou que seu governo, apesar de ter orçamento menor que de governos anteriores, tem ministros que destacam muito mais que os de outras gestões. Segundo ele, seu governo tem tratado o dinheiro público com zelo por isso produz mais.

“Nosso legado é honestidade, é a formação de ministério e obras também que conseguimos terminar de governos anteriores. Estamos ultimando aqui a transposição do São Franscisco, que começou lá atrás, mas na verdade estava paralisada há muito tempo.”

Bolsonaro também falou da pandemia. Segundo ele, parte das mortes ocorridas no país poderiam ter sido evitadas se outras providências, como o tratamento precoce, tivessem sido adotadas pelo Governo Federal. Bolsonaro enfatizou que o poder dado a governadores e prefeitos também foram prejudiciais no enfrentamento aos problemas causados pela doença.

O presidente disse que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tem se saído muito bem à frente da pasta e por enquanto ele tem pouquíssima coisa a falar contra o Queiroga. Ele também elogiou a administração de Pazuello, antecessor de Queiroga. Disse, ainda, que em breve o Brasil deve começar a produzir o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) para que toda a produção vacinas seja feita no país.

“Estive agora a pouco com o Queiroga, juntamente com o senador Wellington do Mato Grosso, onde nós falamos sobre um projeto que assinamos semana passada, transformou-se em lei, permitindo que a indústria de vacinas animal no Brasil possa ser utilizada para produzir vacinas contra a covid-19. Então, o governo trabalha nesse sentido. Não é apenas um fala e outro obedece. Ele é médico e eu não sou médico e nós temos acertado muito bem com o Queiroga nesse sentido. Está de parabéns a Paraíba pelo excelente cardiologista que tem à frente aqui do Ministério da Saúde.”

O presidente também disse que os imunizantes contra a covid foram comprados, conforme foram disponibilizados para venda no mundo. Ele também destacou que o Brasil é o país que mais vacina no mundo e já bateu mais de 150 milhões de doses distribuídas.

Sobre as eleições do próximo ano, Bolsonaro disse que vários ministros têm o procurado para pedir apoio político para se candidatarem, mas que nunca conversou com Queiroga sobre o assunto, no entanto, se ele o procurasse ele estaria pronto para apoiá-lo. Disse também que Queiroga hoje está muito mais preparado para um cargo legislativo do que executivo. Disse que está muito cedo para apoiar candidaturas pelo país.

O presidente falou que nas eleições de 2018 seu vice, assim como as bases de apoio, foi escolhido em cima da hora e alguns políticos apesar de ganharem, pegando carona em sua campanha, depois se tornaram praticamente inimigos. Ele disse que se sair candidato em 2022 não quer correr o mesmo risco.

“O Mourão faz um bom trabalho, ele tem uma independência muito grande, por vezes atrapalha um pouco a gente, mas o vice é igual cunhado, né, você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado. Você não pode mandar o cunhado embora. Então estamos com o Mourão, sem grandes problemas, mas o cargo dele é muito importante para agregar, aí, dele não, né, o cargo de vice é muito importante para agregar simpatias, quer seja numa candidatura para presidente, governador ou prefeito.”

 Bolsonaro disse que dos 513 deputados, quase metade integram os partidos de centro, portanto, se ele abandonar estes, sobrará “menos de 300 votos” e com isso não é possível aprovar as pautas de interesse do governo, incluindo Propostas de Emenda à Constituição.

“Nós vamos nos aproximar do maior número de partidos que possam trazer apoio para a gente poder governar, poder ter voto dentro do Parlamento. O centrão é um nome pejorativo de vários partidos de centro, que têm sido úteis para nós aprovarmos muita coisa. Por exemplo, nós devemos, não está definido ainda, devemos mandar uma Proposta de Emenda à Constituição para acertamos a questão do Bolsa Família. Se eu não tiver apoio dos partidos de centro, o Bolsa Família não tem como ser reajustado, agora para novembro, dezembro. Quando pretendemos dar um reajusto de aproximadamente 50% para o Bolsa Família. Então temos que governa com o que o povo mandou para cá.”

Questionado se do ponto de vista moral pega bem ter em seu governo Ciro Nogueira, que responde a cinco investigações e deve ocupar a Casa Civil, Bolsonaro respondeu que se afastar do seu convívio parlamentares que são réus ou têm inquéritos, ele perderá quase metade do Parlamento. Ele também acrescentou que é réu no STF por causa de ação da deputada Maria do Rosário. Questionado se estaria fazendo coalizão como Lula e Dilma, Bolsonaro negou.

“Olha só, você falou Lula e Dilma. Eles distribuíram estatais para partidos políticos. A Petrobrás, a diretoria da Petrobrás, os Correios, o BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil. Nada disso está nas mãos de políticos no meu governo. Então há uma diferença enorme entre o que Lula e Dilma fizeram no passado e o que eu faço agora. Não é a mesma coisa. A gente busca pelo entendimento soluções para o problema do Brasil. Quando se fala de uma PEC para a gente corrigir o Bolsa Família, vai por essa articulação. Acredito que não tenha maior dificuldade em aprovar isso e nós queremos apenas a paz, a tranquilidade para levar avante os nossos projetos. Repito uma diferença enorme de governos anteriores, onde loteavam ministérios, estatais e bancos oficiais.”

Bolsonaro disse que prefere chamar o voto auditável de voto democrático, que o voto da maioria tem que valer e que é necessário ter um critério justo. Ele questionou mais uma vez “por que o ministro Barroso, presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE) e também integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), é contra o voto auditável. Afirmou também que Barroso é de esquerda e que, segundo o DataFolha, seu candidato tem 49% das intenções de voto no primeiro turno e 60% no segundo. E ironizou: “Tá garantida a eleição do candidato dele e com o voto impresso, auditável ou prefiro chamar de democrático, é a certeza de que ele vai ganhar.” Bolsonaro destacou que desde a implantação das urnas eletrônicas em 1996, os equipamentos não foram modernizados. Ele reiterou que em sua live desta semana apresentará indícios de que houve fraude nas eleições de 2014. Disse que ele é bem recebido em qualquer lugar do Brasil, diferente de Lula. Ele disse que não é obrigado a acreditar na palavra dos que afirmam que ‘não tem fraude’ e lembrou o caso do hacker preso por invadir o sistema do TSE, o mesmo que Barroso afirma ser inviolável.

Bolsonaro disse que a vida de Renan Calheiros sempre foi marcada por muita coisa errada e que tanto ele, como Omar Aziz e Randolfe rodrigues dão oportunidade para picaretas irem na CPI para atacar o governo. Ele também afirmou que a CPI produziu nada de bom para o Brasil. Ele afirmou que seu governo frustrou os planos do trio da CPI que tentou aprovar Medidas provisórias para que governadores e prefeitos pudessem comprar vacinas não certificadas pela Anvisa e sem licitação.

Se com os respiradores já foi uma festa de corrupção no Brasil, bem como a Polícia Federal estima que R$ 4 bilhões, no mínimo, foram desviados dos recursos que nós mandamos para estados e municípios, imagine como seria a festa de governadores, alguns governadores, né, não quero acusar todos ou muitos governadores e prefeitos comprando vacinas a qualquer preço, não interessa a origem sem passar pela Anvisa e mandando a conta para o Governo Federal pagar. Isso é um absurdo! Nós sustamos essa intenção desses três parlamentares. Em consequência, eles nos acusam do que tentaram fazer. Não vão pegar o nosso governo em corrupção, porque o nosso governo é honesto e se, por ventura, aparecer corrupção em qualquer ministério, nós seremos os primeiros a colaborar com a investigação.”

Questionado sobre o auto valor do gás de cozinha e gasolina Bolsonaro disse que a população precisa cobrar os governadores.

“O preço médio do botijão de gás de 13 quilos, lá onde ele é engarrafado, R$ 45,00. Imposto federal, zero. Não tem imposto federal no gás de cozinha. Então de R$ 45,00 chega para R$ 100,00 a 110,00 como? Basicamente é o ICMS – Imposto de Circulação de Mercadorias – do respectivo governador do estado, mais o preço do transporte, do frete, mais a margem de lucro de quem está lá na ponta da linha. O preço do gás de R$ 45,00, poderia ser vendido, no meu entender por R$ 60,00, R$ 70,00, no máximo, se o governador colaborar nesse sentido, porque o ICMS é dele. Eu zerei os impostos federais no gás de cozinha, os governadores deveriam fazer o mesmo.”

Bolsonaro disse, ainda, que está tentando aprovar uma Emenda Constitucional de 2001 que diz que o ICMS de cada combustível deve ter o mesmo valor para todo país. Ele disse que não está tendo sucesso, mas que o governo abriu diálogo com o presidente da Câmara e demais lideranças e agora deve entrar na discussão o deputado Ciro Nogueira.

“Fazer com que cada estado diga qual é o valor nominal do seu ICMS. O que é o valor nominal? Não é o percentual. Na Paraíba, por exemplo, se o governador que cobrar R$ 2,00 no ICMS da gasolina, ele vai cobrar R$ 2,00. Aí do lado, aí, Ceará, Sergipe, Alagoas, Maranhão quiser cobrar R$ 3,00 ou R$ 1,00 o governador decide, mas o consumidor tem que chegar na bomba e falar ‘olha, a gasolina está R$ 1,85, o Governo Federal está cobrando R$ 0,75 de PIS/COFINS que é o imposto federal e o governador tanto’ para ele, então, começar a criticar e a pressionar que aquele imposto seja diminuído. O mesmo acontece com o diesel.”

O presidente disse que espera ter sucesso com a pauta pois o que mais pesa no preço do combustível é o ICMS dos governadores. Sobre a reforma tributária, Bolsonaro disse que o compromisso do governo é não aumentar carga tributária e que se houver ele vai vetar esse ponto.

As declarações foram feitas durante entrevista à Rádio Arapuan FM, da Paraíba, na tarde desta segunda-feira (26).

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