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Bolsonaro anuncia reforma ministerial e fala em imprensa livre Andreia Luiza Matias - 21/07/21 13:45

Imagem: Foco do Brasil

O presidente Bolsonaro deu uma entrevista à Rádio Jovem Pan de Itapetininga (SP), na manhã desta quarta-feira (21). Bolsonaro falou sobre sua experiência no hospital recentemente. Também conversou sobre uma reforma ministerial, que segundo ele deve ocorrer na próxima segunda-feira (26).

O entrevistador disse que nunca viu um presidente apanhar tanto quanto ele. Bolsonaro disse que um dos motivos são as escolhas técnicas para os ministérios e não por meio de indicações políticas como ocorriam em governos anteriores. Ele destacou o caso das estatais que davam prejuízo e hoje dão lucro.

“Você pega, por exemplo, estatais como um todo: 2015, arredondando números, prejuízo de R$ 30 bilhões, 2019 lucro de R$ 70 bilhões. Isso dá R$ 100 bilhões de diferença. Alguém perdeu essa grana no meio do caminho e os grupos que viviam disso começam a se incomodar. Você pega a Caixa Econômica Federal em dois anos do Pedro Guimarães, ela deu mais lucro do que nos últimos 10 anos. Você pega a Itaipu Binacional que investia R$ 100 milhões por ano, um pouquinho mais, na região ali do Noroeste do Paraná. Estamos investindo agora R$ 2,5 bilhões. Você pega os Correios que dava prejuízo ou não dava lucro. No ano passado deu lucro de R$ 1,5 bilhão de reais. Se você começa analisar, essa grana ia para algum lugar. Então não faltam grupos da sociedade, nossa, para querer te fustigar, para querer te tirar daqui. Ele perdeu não é a boquinha não, ele perdeu é a bocarra.”

Bolsonaro afirmou que tudo isso mudou o Brasil e que se não tivesse ocorrido a pandemia, a economia brasileira estaria voando, que o país não teria tantos desempregados, muitos deles vítimas da política do ‘fique em casa’ de governadores e prefeitos com aprovação do STF. Ele reiterou que foi para a rua ver a situação real das pessoas, não ficou em casa omisso à realidade por isso “começou apanhar mais do que apanhava”. Bolsonaro disse, ainda, que acredita que boa parte dessa política de trancar as pessoas em casa tinha como alvo a destruição da economia para derrubar seu governo, mas apesar de toda essa crise o Governo Federal conseguiu contornar a crise e manter a estabilidade econômica do país.

Bolsonaro também lembrou que na última semana saiu uma matéria afirmando que irmão da primeira dama teria recebido Auxílio Emergencial sendo funcionário da Caixa.

“Ele não é funcionário da Caixa, é de uma empresa freelancer da Caixa. E como teve pandemia ele não teve renda. Ele recebeu o Auxílio Emergencial, declarou no Imposto de Renda e no mais, ele não é irmão da Michelle Bolsonaro. O pai dele e a mãe dele não tem nada a ver com o pai da minha esposa e com a mãe da minha esposa. Então é tiro o tempo todo, como essa situação da CPI”, disse o presidente que também reafirmou que foi acusado de corrupção sem ter pago nenhuma dose da vacina.

O entrevistador provocou o presidente a falar sobre a polêmica da LDO que trouxe no pacote a aprovação do Fundão Eleitoral de R$ 6 bi, o qual o presidente já afirmou que vai vetar.

“A LDO com seus anexos pesa aproximadamente um quilo. Para você imaginar um quilo de papel na sua frente para você estudar. É muito número ali, muita proposta. É a Lei de Diretrizes Orçamentárias, é o básico para onde vai apontar o nosso orçamento no final do ano.  E no bolo ali tinha aquela indicação de R$ 5,7 bilhões para o Fundão Partidário. Tem o fundo que sempre existiu e esse Fundão, que foi criado em 2017, que já querem botar na minha conta como se eu tivesse criado o Fundão. O Fundão foi criado em 2017.”

Bolsonaro explicou que a lei que trata do Fundão diz que a cada dois anos um novo Fundão será apresentado corrigido de acordo com a inflação dos últimos dois anos. Ele explica que seus vetos não saem de sua cabeça, ele tem uma série de travas para tomar decisões. Disse ainda que o Fundão da forma que seria, normalmente, ele teria liberdade para aprovar ou vetar, mas pegar R$ 6 bilhões para bancar campanha política não dá. Ele disse que se ele vetar, o Parlamento derrubar o veto e passar os R$ 6 bi o PT e o PSL terão R$ 600 milhões para gastar em campanha. Bolsonaro disse que Tarcísio faria muita coisa com os R$ 6 bi aventados pelo Fundão e que ele vai vetar a iniciativa.

Bolsonaro falou que vai provar que houve fraude nas eleições de 2014. Ele voltou a dizer que na disputa entre Dilma e Aécio por 231 vezes, minuto a minuto, o sistema do TSE alternou entre os candidatos. Em um minuto Aécio estava à frente, no minuto seguinte Dilma tomava a dianteira, isso foi repetido, segundo ele, por 231 vezes. Bolsonaro voltou a questionar a segurança do sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e argumentou contra essa defesa de Barroso usando o exemplo do hacker que foi preso após invadir o sistema do Tribunal.

Ele disse que semana que vem deve chamar a imprensa e apresentar essa prova. A apresentação deve durar uma hora e meia. Ele disse que o sistema de voto eletrônico no Brasil é defasado e lembrou que somente três países usam esse sistema no Mundo: Brasil, Butão e Bangladesh e que se o sistema é tão bom por que países como Japão não usam o mesmo sistema que o Brasil? Bolsonaro falou de manobras que estão sendo feitas para impedir o voto auditável pelas mesmas pessoas que tiraram Lula da cadeia.

“É justo quem tirou o Lula da cadeia e tornou-o elegível, contar os votos o ano que vem. As mesmas pessoas?”

Bolsonaro falou sobre o crescimento da arrecadação, que segundo ele subiu “assustadoramente”, ele disse que ficou até preocupado de forma positiva e que por conta desse aumento da arrecadação, o governo decidiu descontingenciar todos os recursos previstos nos orçamentos dos ministérios. Disse ainda que a preocupação atual é com o Bolsa Família, que atende a cerca de 22 milhões de pessoas, que corresponde a cerca de 10% da população brasileira.

“Continua a média R$ 192,00, estamos aqui propensos, bastante interessados, com toda a responsabilidade sem falar em furar teto, chegar no mínimo a R$ 300,00, porque houve uma inflação durante a pandemia dos alimentos da cesta básica. Teve aí o gás de cozinha, o arroz, o óleo, a carne, entre outras tantas coisas e nós devemos compensar essas pessoas mais humildes porque quando você fala em criar empregos passamos aí, não vou culpar apenas a esquerda não. Passamos muito tempo sem dar a devida atenção à educação, ao conhecimento e temos uma massa de pessoas hoje que lamentavelmente se você oferecer um emprego para ela, ela não está habilitada, não está qualificada a assumir aquela função.”

Bolsonaro disse que por não ter qualificação essas pessoas podem fazer apenas atividades básicas e que não é possível usar todas essas pessoas nessas atividades, por isso é preciso dar essa atenção a esses 22 milhões de brasileiros que se encontram nesta situação.

 Ele reiterou que a economia está indo bem e que a preocupação é apenas com os informais. Bolsonaro diz que espera que não haja fecha tudo novamente. Ao ser provocado pelo entrevistador a dar uma atenção ao Vale do Ribeira, o presidente comparou a região à Roraima que tem vários impedimentos de desenvolvimento devido às demarcações de terras indígenas.

Bolsonaro disse que uma das intenções do seu Governo, nos próximos meses, transformar os campus afastados das universidades federais se transformem em universidades autônomas. O objetivo é dar autonomia às respectivas o trabalho dos futuros reitores.

O presidente reclamou da imprensa que faz questão não dar notícia boa, ele disse que não tem problemas com a imprensa, mas “de vem em quando baixa o nível” por que o pessoal fica o tempo todo dando coice. Bolsonaro disse que fica chateado com a postura da velha mídia por conta de seu trabalho ruim, no entanto, ele considera a imprensa muito importante. “Eu sonho com uma imprensa independente e livre”. O presidente disse que não sabe se será candidato ano que vem, mas que há um candidato que afirma que vai fazer controle da mída, Bolsonaro se referia a Lula.

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